quarta-feira, 28 de julho de 2010

Mulheres Alteradas

Tenho passado muito tempo no computador em razão do estágio e, como minha meta das férias era curtir mais offline, voltei a abandonar o blog! Sorry! Mas estou de volta! =)

Dia 11/07 tive uma oportunidade incrível! Prestigiar a pré-estreia da peça "Mulheres Alteradas", baseada nos quadrinhos homônimos da cartunista argentina Maitena e que estreou dia 16 em São Paulo.


No elenco, três grandes atrizes: Mel Lisboa, Daniele Valente e Luiza Tomé, que são, respectivamente, Lisa (separada, mãe de um filho), Alice (solteira, rica e meio avoada) e Norma (executiva pragmática, casada, com dois filhos e grávida pela terceira vez), além do único homem, André Bankoff, espécie de curinga, que representa vários papéis masculinos, e as três integrantes da "Banda Alterada", criada exclusivamente para a peça e responsável por executar, ao vivo, a trilha sonora.
As cenas cômicas são curtas, o que confere a mesma agilidade dos quadrinhos. As três amigas abordam e discutem - de forma engraçadíssima! - assuntos do universo feminino, como corpo, moda, homens, filhos e trabalho. Problemas corriqueiros, mas não sem importância, como a celulite que insiste em não ir embora, a paixão por sapatos ou um relacionamento que se acaba, são tratados com leveza e muito bom humor! E, com certeza, todas as mulheres da platéia se identificam com cada assunto, pelo menos um pouquinho! Isso fica bem claro com as risadas durante o espetáculo!


O programa é diversão na certa! É aquela peça gostosa que dá pra assistir com mãe, amiga ou namorado e rir à beça!
 
A pré-estreia em Itatiba foi uma grande surpresa para mim e sou muito grata à minha querida mãe, que conseguiu convites pra gente! Sério, eu amo teatro! E sempre que vou, mudo meus conceitos (para melhor!) sobre os atores! Mel Lisboa me surpreendeu muito, sério! Que mulher! E a Dani Valente, que já me encantava desde Confissões de Adolescentes, na peça, é a que tira mais risos da platéia!

Recomendo muito! :D


MULHERES ALTERADAS
QUANDO: sex. e sáb., às 21h30; dom., às 19h; até 26/9
ONDE: Teatro Procópio Ferreira (r. Augusta, 2.823, tel. 11 3083-4475)
QUANTO: De R$ 50 a R$ 70
CLASSIFICAÇÃO: 12 anos

E pra quem não conhece os quadrinhos da Maitena, uma palhinha!!!


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segunda-feira, 3 de maio de 2010

daqueles dias ENTREVISTA: Vera Egito

Ela já foi apresentada no post anterior e agora a entrevista na íntegra para vocês. E nossos sinceros agradecimentos a Vera, que aceitou tão gentilmente participar dessa entrevista pro blog e tá aí, uma pessoa meiga e ao mesmo tempo muito batalhadora e que pode - e deve - servir de exemplo para nós universitárias!



dd: Em ambos os curtas há uso reiterado de personagens centrais femininas. Esse é um traço auto-biográfico? Por quê?

V: Talvez seja um traço auto-biográfico na medida em que tudo que fazemos tem a ver com nossas trajetórias pessoais. Mas, certamente, não foi um ato deliberado no sentido de retratar a mulher no cinema. As personagens de “Espalhadas pelo Ar” e “Elo” foram, antes de qualquer coisa, personagens. Ações dramáticas que desencadeiam uma narrativa. Na verdade, se a gente pensar bem, é meio engraçada essa pergunta. Porque quando um diretor escreve e dirige um filme cujo protagonista é masculino, ninguém pergunta para ele “Por que você decidiu contar a história de um homem?”. Porque protagonistas masculinos são o normal e uma protagonista feminina ainda é anormal. Lembro que na época do desenvolvimento do roteiro do Espalhadas na ECA alguns colegas (meninos) apontavam como um problema os personagens masculinos serem coadjuvantes. Diziam que eles precisavam ser desenvolvidos. E eu me perguntava o porquê. O motivo era que um personagem masculino secundário e um feminino principal ainda causava estranheza no cinema. Mas minha decisão nunca foi política. As protagonistas são mulheres porque era a história delas que eu tinha para contar. Estou escrevendo meu primeiro longa agora e o protagonista, Leon, é um rapaz. Não sei explicar o motivo. Só sei que precisava falar dele. E, certamente, também em Leon há traços auto-biográficos. O que faz a gente se identificar com um personagem não é o gênero, mas sim sua trajetória heróica. Em Guerra nas Estrelas, por exemplo, eu sempre fui o Han Solo. Jamais quis ser a Lea.

dd: Você costuma retratar bastante a adolescência em seus filmes. Você acha que houve uma modificação de valores da geração atual para a sua?

V: Acho que os valores sim mudaram. Tendo a ver uma melhora já da minha geração para a de hoje. A questão da sexualidade, por exemplo, evoluiu bastante. Meninas e meninos têm cada vez mais abertura para experimentar e/ou assumir a homossexualidade. O acesso à arte e à informação também é incrível, fascinante. Lembro de com treze anos ir com meu irmão mais velho à Galeria do Rock procurar por discos que não encontrávamos em lugar nenhum. Hoje você pode conhecer os artistas mais undergrounds do mundo inteiro pelo myspace. Eu acho isso lindo. Sério mesmo. São tempos maravilhosos para ser jovem. Claro que há problemas. Mas eles sempre existem em todas as gerações. E é função do jovem vencê-los.

Fui para Cannes com a Nathalia Zemel, atriz do Elo. Na época ela estava com 18 anos. Desde as filmagens já éramos amigas. A Nathi tem acesso a um monte de coisas, é cheia de referências e idéias. Hoje está estudando moda. Tenho certeza de que um adolescente assim não seria possível vinte anos atrás. Conhecer as coisas era muito mais difícil. Debatê-las também.


dd: Como rolou sua vida acadêmica: você se envolveu em projetos extra-curriculares, fez freelances ou só se ateve aos trabalhos acadêmicos?

V: Me envolvi com tudo que pude. Fiz assistência de elétrica, de câmera, de direção. Meu primeiro filme foi um curta da Júlia Zakia, A Estória da Figueira. Fui segunda assistente de direção. Hoje a Jú é minha amiga. Amo o trabalho dela. Trabalhei também com vídeo institucional como assistente de direção e roteirista. Fiz algumas assistências de direção em publicidade também. Isso ainda na Faculdade. No terceiro ano fui segunda assistente de direção de O Cheiro do Ralo. Foi um divisor de águas. Uma experiência definidora. Acho que por isso fiz o curso em seis anos, em vez de quatro, que seria o normal. Mas valeu a pena. Esses trabalhos me fizeram chegar ao Projeto de Conclusão de Curso – o Espalhadas pelo Ar – com uma visão bastante diferente da dos colegas que nunca tinham tido contato com o mundo profissional. É muito importante ter essa disposição quando se é estudante ou recém-formado. Fazer tudo que aparece pela frente. Às vezes, no primeiro ano da faculdade, você já acha que é um gênio, que nasceu para ser diretor. Pode até ser que sim, mas há muito o que aprender até fazer seu próprio filme. E ralar como estagiário é essencial para entender como as coisas funcionam. Tem uma coisa de disciplina e hierarquia em cinema que você só entende quando trabalha em funções variadas.


dd: O que a vivência universitária trouxe para sua vida?

V: Trouxe tanta coisa. Outro dia fui a ECA buscar uma documentação para o meu DRT. Estava subindo as escadas e cruzei com uma turma saindo da aula de história do Calil. Aquilo me deu um aperto no coração. Eles eram tão novinhos… Claro que eu me vi ali alguns anos atrás. Foi um tempo muito intenso de descobertas. Digo descobertas relacionadas ao conhecimento mesmo. Todos os filmes a que assistíamos, os textos que tínhamos de escrever, os debates, os vídeos que fazíamos em grupo. Foi um turbilhão. Quando entrei na ECA achava que queria fazer cinema, mas não sabia exatamente como, em que função. Também não sabia o porquê disso. Saí da ECA com o Espalhadas estreando no Festival de Brasília. Saí diretora. A faculdade me formou intelectual e profissionalmente.


dd: Você acredita que a formação acadêmica seja imprescindível para ser bem-sucedido numa profissão? Foi para você?

V: Esse termo “bem-sucedido” é estranho, não é? Ser bem-sucedido é o que exatamente? Pode ser ganhar muito dinheiro com a sua profissão. Pode ser ter um cargo de comando. Na verdade, eu não acho que seja nada disso. Ser bem-sucedido é ser feliz. É estar em paz com o projeto que traçou para si mesmo e a maneira como consegue realizá-lo. E, nesse sentido, não importa se você fez faculdade ou não, se você ficou rico ou não, se você sai ou não sai nas revistas. Importa a satisfação que tem com sua produção e com seu caminho. A faculdade, como disse, foi importantíssima para a formação do meu pensamento cinematográfico, para minha capacidade de análise e intelecção e para fundamentar meu conhecimento formal. Acho que assim deve ser para todos. Há brilhantes cineastas que não estudaram cinema. Há brilhantes cineastas que sequer têm nível superior. As trajetórias são diversas. Mas, para mim, a ECA teve sim um papel fundamental.


dd: Para sua idade, você pode ser considerada bem-sucedida e reconhecida no seu ramo de atuação. Que parcela de importância você acredita que tenham o talento, o esforço e os contatos no meio?

V: Olha o “bem-sucedido” aí de novo. Mas eu acho que eu sou sim bem-sucedida especialmente a partir da minha concepção para o termo. Sou feliz com o que venho realizando e satisfeita com minha trajetória até aqui. Acho que é preciso tudo isso junto. Sendo que “contatos no meio” é o mais questionável. Eles podem te ajudar, te atrapalhar ou podem ser absolutamente indiferentes. Fiz dois curtas com financiamento do governo e, em ambos os casos, não conhecia e nem sabia quem eram as pessoas do júri. A mesma coisa aconteceu com o júri de Cannes e de outros Festivais em que os filmes estiveram. Depois tive a oportunidade de conhecer algumas dessas pessoas e percebi que elas, de fato, amavam os roteiros e filmes submetidos a seu crivo. E é isso o que conta. Falo isso para um monte de amigos que pensam em inscrever projetos em concursos e festivais mas acham que não vão ganhar: tentem. Os projetos que tive contemplados por prêmios e selecionados para festivais conquistaram seus lugares por si só. Existe um outro fator aí que não foi mencionado na pergunta e que é, esse sim, essencial: sorte. É preciso se esforçar, ser cdf, concentrado. É preciso ser considerado talentoso por alguns, pelo menos. E é preciso sorte para encontrar esses “alguns”. Quando conheci o trio de seleção da Semana da Crítica lá em Cannes eles vieram conversar comigo e dizer o quanto tinham gostado do Elo. Joséphine Lebard, em especial, era apaixonada pelo curta. Ela não sabia quem era Elis Regina e, mesmo assim, amou a pequena história. Fiquei pensando que tremenda sorte ter essa moça no meu caminho. Pois o corpo de um júri é algo absolutamente aleatório. Poderia ser outra pessoa que não se identificasse tanto com o filme e aí, as coisas poderiam ser diferentes. Sorte é bem importante. Mas você tem de estar pronto pra quando ela chegar. Se Joséphine estivesse no júri, exatamente como estava, mas minha equipe e eu não tivéssemos dado o duro que demos e feito o filme, não adiantaria nada essa sorte.


dd: Você acha que a mulher ainda sofre algum tipo de preconceito ou maiores dificuldades de inserção na área do Audiovisual?

V: Não, não acho. Já ouvi histórias de meninas que se sentiram desrespeitadas profissionalmente – na percepção delas - por conta de seu sexo. Eu nunca vivi uma situação assim. E acredito que, se aconteçam, seja por culpa de preconceitos pessoais que não representam uma classe. Fazer cinema é muito difícil. A cobrança é muito grande. Você tem de provar que pode a cada passo, a cada projeto. Nunca vi nenhum amigo (homem) tendo moleza. Todos trabalham muito duro. Acho mesmo que o cinema é uma das poucas áreas onde há uma meritocracia de fato. Minha família não é rica nem de artistas famosos. Não estudei em colégios influentes. Ainda assim, venho conquistando as coisas com o trabalho e tenho tido resultados. Acho que ser uma mulher nunca me atrapalhou e nem me ajudou em nada. Claro que, no geral, quando digo que faço cinema me perguntam se eu sou atriz. Dizer que sou diretora e roteirista soa um pouco forte para uma mocinha de rímel nos cílios. Mas não chega a provocar nenhuma reação negativa. No máximo um espanto: “Diretora? Jura?”. Pois é… juro.


dd: Com relação à moda, é perceptível que você tem um estilo próprio marcante. Você tem alguma inspiração ou referência? Você se preocupa com isso?

V: Me preocupo com isso sim. Até um tempo atrás não me preocupava tanto. Na época da faculdade eu era muito dura, não gastava muito dinheiro nem muito tempo com roupa. Sempre fui vaidosa, mas não tinha essa preocupação com um estilo. Quando comecei a trabalhar passei a me sentir mal-vestida em muitas situações e isso é horrível. O tênis e a camiseta velhos não funcionavam mais. Aos poucos fui ficando mais atenta a referências e estilos. Minha mãe sempre foi bem-vestida, sempre usou peças de muita personalidade. Acho que na adolescência eu me distanciei um pouco disso por rebeldia. O fato é que quando comecei a fazer filmes a moda se tornou um objeto para a busca de referências, um lugar onde nasciam conceitos estéticos interessantes. Passei a me informar mais. Junto vieram os primeiros trabalhos com cachê, viagens para fora do país, Festivais de Cinema. E meu guarda-roupas foi mudando. Há vários sites e blogs de moda nos meus bookmarks. Consulto com freqüência tanto para trabalhos quanto por diversão.

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Vera Egito

É interessante pensar como os acontecimentos da nossa vida são organizados. Em 2008, eu e a Mari trabalhamos na monitoria do 19º Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo, nós duas na Cinemateca Brasileira. Lembro-me que alguns filmes nos marcaram muito e foram, por muito tempo, assunto de discussões. Entre eles "Os filmes que não fiz" de Gilberto Scarpa,"Café com leite" de Daniel Ribeiro e "Espalhadas pelo Ar" de Vera Egito. "Espalhadas pelo Ar" especialmente nos marcou pela delicadeza com que construía a conexão entra as duas personagens e a preocupação estética das cenas, muito bem acabadas. Além disso, no dia de fechamento do festival, sobe ao palco para representar o filme sua diretora, muito jovem, e que se destacava do todo por ser uma jovem mulher, com uma franjinha e um casaco bordô que denunciavam seu estilo.
Curiosamente em 2009, agora como público do Festival de Curtas, "trombamos" de novo com Vera em "Elo". Inevitavelmente, encontramos semelhanças com "Espalhadas" - conexão de personagens distintas, a protagonista feminina, uma fotografia delicada. Mais curiosamente ainda, ao ler os créditos de "À Deriva", numa segunda-feira de Agosto em que fomos ao cinema, eis que nos deparamos novamente com Vera Egito como Co-Roteirista do filme. Era, simplesmente, uma coincidência que nos perseguia e que nos tornava, ao mesmo tempo, como que mais íntimas de sua trajetória no cinema nacional.
Enfim, há mais ou menos 3 semanas, acompanhando William Hinestrosa da Associação Cultural Kinoforum a uma visita à Unicamp, Vera Egito bateu um papo conosco, alunos de Midialogia, a respeito de seus filmes e, mais especificamente, da produção de curtas-metragens. Nada mais surpreendente para nós do que nos encontrar com uma figura que já pairava por nossas discussões e que, ao mesmo tempo, serve de inspiração para jovens comunicadoras: mulher, jovem, recém-formada, estilosa, batalhadora e que já colhe os frutos de tanta dedicação!
Vera gentilmente concedeu uma entrevista para o Daqueles Dias, que serve não só para mostrar um pouco mais sobre seu trabalho, como também, quem sabe, de fonte de inspiração e estímulo para quem pensa em seguir na área do Audiovisual - ou em qualquer outra área, né? Já que estudo e dedicação podem contagiar qualquer um! ;)

Vera Egito tem 27 anos e é cineasta formada pela ECA-USP. Teve seus dois curtas, "Espalhadas pelo Ar" (seu Trabalho de Conclusão de Curso em Audiovisual) e "Elo", exibidos em 2009 na 62ª edição de Semana de Crítica de Cannes. Pela primeira vez na história do festival foram exibidos duas produções do mesmo autor.




**Confiram a entrevista na íntegra no próximo post!

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quinta-feira, 8 de abril de 2010

Só pra descontrair.

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sexta-feira, 2 de abril de 2010

Parabéns, Hans!


Quando penso em contos de fadas, lembro automaticamente dos Irmãos Grimm, ainda mais depois do filme, lançado em 2005, que conta com os queridinhos Matt Damon e Heath Ledger no papel dos irmãos. Mas isso é um desaforo, deveríamos também lembrar de Hans Cristian Andersen, o dinamarquês que, entre outras histórias, premiou nossa infância com contos como O Patinho Feio, A Roupa Nova do Rei, A Pequena Sereia, A Princesa e a Ervilha, A Pequena Vendedora de Fósforos, O Soldadinho de Chumbo.

Hoje, dia 2 de abril de 2010, Hans Cristian Andersen completaria 205 anos de idade. Nascido em Odense, Dinamarca, era filho de sapateiro, e, mesmo muito pobre, aprendeu a ler desde cedo. Aos 11 anos de idade, seu pai morreu e ele teve que abandonar a escola. Andersen nasceu e viveu numa época em que a Dinamarca regressava ao nacionalismo ancorado em valores ancestrais. De certa forma graças à sua infância pobre, Andersen teve a chance de conhecer os contrastes da sua sociedade, o que influenciou bastante as histórias infantis e adultas que viria a escrever quando mais velho.

Em 1819, com 14 anos de idade, Andersen saiu de casa e foi para a capital com o objetivo de se tornar cantor de ópera, mas foi abraçado pelo estigma de lunático devido às suas atitudes diferentes. Mesmo assim, conseguiu ser admitido no Teatro Real e trabalhou muitos anos como ator e bailarino. Por ser visto pela sociedade como “o estranho”, ele chamou a atenção do Rei Frederico IV, quem o enviou de volta à escola, onde Andersen estudaria até 1827. Mais tarde, ele confessou que tinha aversão aos estudos, e que aqueles tinham sido os anos mais amargos de sua vida.

Em 1828, entrou na Universidade de Copenhague, e no ano seguinte, quando seus amigos já consideravam que nada de bom resultaria de sua excentricidade, ele lançou Um passeio desde o canal de Holmen até à ponta leste da ilha de Amager e obteve considerável sucesso, embora o reconhecimento internacional viria um pouco mais tarde, em 1835, quando lançou o romance O Improvisador.

Apesar de ter escrito vários romances adultos, e poesias, foram os contos de fadas que o tornaram famoso. Não é a toa que a data do seu aniversário seja comemorada como o Dia Internacional do Livro Infanto-Juvenil, e o mais importante prêmio do gênero tenha o seu nome. Ele foi, segundo estudiosos, a primeira voz autenticamente romântica a contar histórias para as crianças.

No final de 1872, ficou muito doente e permaneceu com a saúde abalada até 4 de agosto de 1875, quando faleceu, em Copenhague.


As histórias de nossa infância nos acompanham para toda a vida, assim como os traumas, as lições, as situações. Elas nos compoem, nos constroem, de forma que só somos o que somos hoje, devido a tudo que passamos. Acho bobagem essa história de querer voltar no tempo e mudar coisas no passado, estaríamos mudando quem somos hoje. Por isso acho que pessoas como Hans, que falam diretamente às crianças, e não só às crianças de sua época, mas atravessam gerações, de uma importância muito grande para o imaginário coletivo. Nada mais justo que saudá-lo e agradecê-lo por povoar nossos sonhos mais remotos da infância, afinal, quem é que não traz com carinho os contos de fadas?


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domingo, 28 de março de 2010

Quem? Otto Stupakoff

'Jardins de Boulogne' - Otto Stupakoff

Se é pra falar em moda, falemos então de Otto Stupakoff. Quem é ele? Paulistano,é considerado o primeiro fotógrafo de moda do Brasil. Em entrevista dada ao Caderno2 do Estadão, Otto conta: Pedi ao [estilista] Denner [Pamplona] um vestido emprestado. Coloquei na mala, peguei um ônibus para o Rio de Janeiro, combinei com minha namorada, Duda Cavalcanti, e fomos para a casa do Heitor dos Prazeres, amigo pintor e sambista, que morava numa casa Art Noveaux. Neste terraço, coloquei a Duda com o vestido do Denner, que ele havia feito, em 1955. Era um vestido branco e azul-marinho. Neste dia, no terraço da casa de Heitor, a Duda vestindo Denner, foi feita a primeira foto de moda no Brasil. Esta foto, que fiz para mim, nunca foi publicada." Com relação a fotografia de moda, Otto dizia que sempre buscava fazer da modelo uma atriz – tinha “ojeriza” de fotos posadas, tentava fazer do retrato de moda um retrato familiar, o mais espontâneo possível. Essa criação de estilo próprio é hoje na fotografia de moda muito castrada. Não se dá ao fotógrafo a liberdade de desenvolver seu trabalho. Espera-se dele que produza um ensaio dentro dos padrões. Tanto é que se eu perguntar a você, leitora, o que te lembra uma fotografia de moda, facilmente chegaremos a lugares e referenciais comuns. Olhares de lado, um ar sexy, na maior parte sérios e um tanto quanto misteriosos. Tenho a impressão que, se eu recomeçasse a fotografar moda, se me fosse dada a oportunidade, começaria de onde parei, porque até hoje não vi ninguém fazendo o que eu imaginava.”



Stupakoff retratou mais de 300 celebridades, grande parte delas internacionais. Isso porque ele foi mais um daqueles casos em que a produção artística só teve verdadeiro reconhecimento no exterior. Em suas últimas entrevistas, Otto revelava um descontentamento com o país no que diz respeito ao não reconhecimento de seu trabalho – o que me pareceu, em partes, fruto de um certo convencimento: “Os Estados Unidos e a Europa me proporcionaram os elementos necessários para poder trabalhar muito bem. Modelos, assessoria... estou falando de fotografia de moda, que envolve muitas pessoas na produção, e o talento de quem estava nesse meio, fora do país, era muito superior. Tudo isso me faltou aqui. Faltou um trabalho no Brasil que pagasse dinheiro, e assim tive que voltar para Nova York.” Não sei até que ponto isso tem fundamento, ou até que ponto isso é símbolo de um certo preconceito contra o país em que nasceu. Relativismos à parte, não há que se discordar da importância de seu trabalho e de seu reconhecimento internacional.

Bob Wolfenson, também fotógrafo de moda brasileiro, fala que Stupakoff era um devoto dionisíaco da beleza – a beleza possível de ser apreciada com o olhar. Otto: “Sempre fui encantado pela beleza. Para mim, ela é essencial para viver. É algo que o povo japonês, por exemplo, tem inato: desde pequeno eles cortam papel, dobram papel, tem uma consciência da beleza. Esse amor, essa necessidade de tocar a beleza sempre esteve comigo desde pequeno e o feio me atrapalha toda a vida _é difícil me acostumar a São Paulo, que é caótica visualmente, desorganizada. Então eu preciso recorrer ao mundo interno da beleza, ao meu mundo particular. A beleza pra mim faz parte do programa diário.”


O fim de sua vida foi marcada de grandes homenagens brasileiras: em 2005 foi homenageado em mostra do SPFW, em 2007 ainda no SPFW lançou seu livro “Otto Stupakoff” e no início de 2009 foi homenageado pelos 50 anos de sua carreira com exposição no Instituto Moreira Salles no Rio de Janeiro. Para um país “ingrato” ou quem sabe pouco acolhedor ao trabalho de Otto, até que sua obra recebeu (e recebe) bastante reconhecimento. ;D

Vale conferir!

-> Otto Stupakoff. São Paulo: Cosac & Naify, 2006

-> Entrevista de Otto Stupakoff para o portal UOL.. Clique aqui.


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sábado, 20 de março de 2010

O que trouxeram as águas de Março

Estava eu no meio do próximo post de Cultura quando me lembrei que nessa última quarta-feira (17/03) estaria completando 65 anos a inesquecível Elis Regina. Acabei mudando de idéia pois acho que cai como uma luva esse novo post de Cultura ter esse grande nome da música popular brasileira como tema.

Resumindo muito, Elis é natural de Porto Alegre e nasceu no dia 17 de março de 1945. Desde muito pequena já cantava e passou a se apresentar e ser atração constante no "Clube do Guri", um programa destinado a jovens talentos na Rádio Farroupinha. A guria tímida de rabo-de-cavalo aos 15 anos grava o seu primeiro disco, o "Viva a Brotolândia", repleto de "rockinhos" tentando fazer frente a Celi Campelo, cantora em alta na época.

Poucos dias antes da instauração da Ditadura Militar no país, em março de 1964, Elis desembarca com seu pai no Rio de Janeiro e logo assina contrato com a TV Rio e é nesse meio que conhece seu primeiro futuro marido: Ronaldo Bôscoli, com quem teve seu primeiro filho, João Marcelo Bôscoli.

Em 1965, Elis dá o grande salto de sua carreira: cantando com uma performance inigualável "Arrastão", alucinou o público e venceu o Primeiro Festival de Música Popular Brasileira. Com apenas 20 anos e há um ano no Rio de Janeiro, assinou contrato com uma emissora paulista e passou a ser a mais bem paga artista brasileira até então.

Elis Regina interpretando "Arrastão"

Como intérprete já de sucesso, lança um novo compositor a cada disco seu. Nomes hoje célebres como Gilberto Gil, Milton Nascimento e Tim Maia estão na lista dos que tiveram suas canções interpretadas lindamente pela artista.

Segundo o jornalista Nelson Motta, todos os seus parceiros afetivos tiveram influência em sua carreira e em suas músicas, mas nenhum teve mais participação do que seu segundo marido, César Mariano, seu pianista e arranjador. Com ele teve mais dois filhos, Pedro Mariano e a caçula Maria Rita.

Elis tinha um apreço singular por Tom Jobim, de quem interpretou muitas canções – entre elas "Águas de Março", que eu não poderia deixar de linkar aqui.

"Águas de março" de Tom Jobim

Um vídeo que me emocionou muito é sua performance de um de seus grandes sucessos: "Como nossos pais" do disco "Falso Brilhante"

"Como nossos pais" de Belchior

Elis e sua obra deixaram marcas também na história do país. A canção "O bêbado e a equilibrista" se tornou hino da Anistia no país na época da grande campanha pela anistia dos axilados e presos políticos durante a ditadura militar.

A cantora tinha o apelido de "A pimentinha", e é fácil de presumir o porquê: os que a conheceram dizem que era extremamente sincera, impulsiva e temperamental. Não fazia questão de fazer média com os críticos e prezava sempre por ser franca, dizer sempre o que pensava. Era, sobretudo, autêntica.

Elis veio a falecer no dia 19 de janeiro de 1982, com apenas 36 anos de idade, devido a altas doses de tranquilizantes, cocaína e bebidaas alcoólicas.


Ao assistir suas performances é muito fácil perceber que quando canta, ela canta primeiro para si, sente a música, e no final das contas não canta a própria canção, mas os sentimentos que retira dela, numa espécie de interpretação de alma e não somente de corpo. É, simplesmente, divino.


Dica: vale a pena assistir ao Programa Ensaio da Tv Cultura de 1973 com Elis Regina. Um mix de belas canções e memórias da cantora.

"Ladeira da Preguiça" de Gilberto Gil escrita especialmente para Elis

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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Estante Virtual

Calooorr, final de férias, volta às aulas.

Volta às aulas significa, além de acordar cedo, voltar à rotina de muvuca de folhas de xerox (que parecem simplesmente iguais!) e multa de atraso na biblioteca... ai ai!

Mas o Daqueles Dias traz uma dica que poderá facilitar as suas leituras, suas caminhadas até a biblioteca e aliviar a sua pasta de xerox. Já ouviu falar no portal Estante Virtual ? Se não, já está mais do que na hora!

http://www.estantevirtual.com.br

O Estante Virtual é considerado o maior sebo de livros do planeta! Surgiu quando o jovem administrador André Garcia, após ralar pra achar o que queria nas estantes confusas de sebos, teve a idéia de juntar todas as estantes de sebos num único lugar. Após largar seu emprego na área de marketing, criou um serviço diferenciado que facilitaria a vida de milhares de leitores em todo o país.

O site começou em 2004 com apenas 12 sebos a bordo. Conforme a eficiência e a quantidade de vendas através do site ia aumentando, mais sebos passaram por cima do preconceito que tinham com vendas online(muitos deles ainda nem tinham uma própria página na internet, atendiam apenas por telefone) e aderiram ao portal. Hoje, o Estante Virtual possui vínculo com sebos de 297 cidades brasileiras, são 1629 sebos e livreiros cadastrados e mais de 20 milhões de livros à venda. Para se ter uma idéia do sucesso do site, são feitas em média 5000 vendas por dia e são cerca de 10 buscas por segundo! Dá pra fazer buscas por título, autor, editora, sebo, estante, cidade e faixas de preço - tudo para facilitar a busca e a escolha. Tem de tudo: livros antigos, raros, nacionais, importados, revistas e gibis!

Para quem gosta de renovar sempre seu acervo, o portal lançou o Programa Nacional de Troca de Livros em que o leitor pode oferecer seu semi-novo em troca de créditos em novas compras no site ou em algum sebo de sua preferência. Além disso, o leitor pode também anunciar seu livro para uma venda normal.

Não há regras para por preços nos livros, mas o site instrui para que o desconto no usado seja de no mínimo 40% sobre o valor do livro novo já que, num site de sebos, o valor é o principal chamariz para os produtos.

A estudante de Comunicação Social da Unicamp Juliana Villiotti já comprou no site e gostou do serviço: “Achei bem organizado, fácil de encontrar o que está procurando, tem uma gama de sebos muito grande pelo país todo. Super indico esse site”. Juliana comprou um livro de um sebo de Goiás, fez o pagamento por depósito e o livro foi entregue em sua casa até antes da data prevista. Para uma maior segurança do usuário, todos os sebos e vendedores podem ser avaliados. Dessa forma, o próximo comprador poderá ler as avaliações e ficar mais tranqüilo com relação à segurança da compra.


Fica a dica! Faça seu cadastro e boa procura!

A pasta de xerox agradece ;D




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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Awesome things!

Pra quem ainda resta um tempinho sem nada pra fazer nesses dias quentes de fevereiro, o blog 1000awesomethings.com é um divertido lugar para perder um tempo ;)


Sabe aquelas pequenas coisas que acontecem quando você menos espera e te dão um prazer instantâneo?! Calma... calma! rs... Achar dinheiro esquecido num bolso, entrar na padaria bem naquela hora em que o pão acabou de sair ou mandar um high five!
De forma espontânea e objetiva, o blog posta a cada dia uma "nova" felicidadezinha que arranca sorrisos e pode, quem sabe, melhorar seu dia.
Tem também como acessar o "Top 1000" com as top 1000 coisas que podem te fazer parar pra pensar e até rir sozinho.






O blog, ganhador de 2 Webby Awards (o mais alto premio da internet segundo o The New York Times) é hoje visitado por pessoas do mundo todo. Seu criador Neil Pasricha lançou posteriomente o livro "The book of Awesome - Snow days, bakery air, finding money in your pocket, and other simple, brilliant things" e diz que o blog surgiu com o intuito de ser um lembrete das pequenas alegrias que fazem a vida mais doce.


O livro de Neil Pasricha

Com certeza vale a pena perder um tempinho nesse blog, porque uma coisa é certa: depois de uma visita, você sai pensando: "Nossa, é mesmo!" =D

Fica a dica!

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quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Qual é o seu segredo?

Vou estrear esse tópico do blog com um trabalho artístico muito peculiar!
Post Secret é um blog que reúne cartões postais (http://www.postsecret.blogspot.com). A ideia parece simples, mas consiste não somente num blog, e sim num projeto artístico comunitário, cuja proposta é que as pessoas enviem cartões postais anônimos contando qual é o seu segredo. O lado artístico estaria no desenvolvimento desses postais, feitos, em sua maioria, à mão. Entretanto, os depoimentos roubam a cena!
Esse projeto é de autoria do americano Frank Warren, um "motivation speaker", aqueles caras que dão palestras sobre motivação pessoal, principalmente em empresas. Warren deu início ao blog em 2004, com intuito de ser temporário e, no entanto, Post Secret adquiriu grande reconhecimento e Warren passou a receber milhares de postais, dos quais são postados os melhores semanalmente - aos domingos. Por isso, o projeto ainda está em andamento e o blog é atualmente o maior blog sem anunciantes! Incrível, né?

Frank Warren

O autor acredita que o papel social mais importante exercido pelo projeto é permitir que as pessoas se libertem de segredos que guardam. E a gente sabe o quanto é bom poder se "livrar" de certos medos, anseios e outras coisas que guardamos e que pesam na nossa cabeça ou no coração! Mesmo que anonimamente! E o sucesso do blog foi tanto que Warren lançou recentemente o terceiro livro, "Post Secret, Confessions on Life, Death, and God".

Post Secret, Confessions on LIFE, DEATH, AND GOD
Frank Warren, EUA, 2009
Editora Harper Collins

Meu primeiro contato com o blog ocorreu na fase de pesquisa para o desenvolvimento desse blog que você lê agora! hehehe e me veio à tona novamente quando um amigo me recomendou um vídeo que ele havia gostado muito de ver. E adivinhem qual era?! "Post Secret, Confessions on Life, Death, and God"! Num projeto ainda mais inusitado, Warren sai às ruas e entrevista 50 pessoas a partir da mesma pergunta: "What's your secret?". O resultado? Semblantes envergonhados, expressões de medo e insegurança, olhos pensativos, faces ruborizadas... e muitas confissões!

PostSecret: Confessions on Life, Death and God from Frank Warren on Vimeo.

E, gente, o vídeo realmente é maravilhoso! Não me canso de ver! A fotografia é linda, tem umas brincadeira com foco muito interessantes, a trilha sonora é envolvente e os "personagens" são demais! Tanto nos comovem quanto nos surpreendem e nos fazem rir com seus depoimentos e confissões! Não vou entrar em detalhes para não perder a graça! Quanto ao depoimento que mais me agrada ou mais me tocou, ainda estou em dúvida entre o garotinho que odeia pássaros ou a moça dos poemas... ai ai! Vou ver mais uma vez!!!!

Enfim, um ótimo site para explorar nessas férias! Além disso, um vídeo para guardar para sempre em nossa memória! Agora fica com você, leitora, qual o seu segredo? Você compartilharia de alguma dessas formas?!

E para finalizar, o texto de divulgação do vídeo:

"You may find the brave voices captured in this short film haunting, shocking and humorous. In some of their faces you'll see joy, anguish and grace as they trust you with their confession.

Please tell your friends about this short and thank you for supporting PostSecret by buying the books for yourself or as gifts."
www.PostSecret.com

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